• Fernanda Siqueira

De gestor@ do Departamento Jurídico a CEO: qual o papel d@ executiv@ jurídic@ nesse processo



Quem deve ser o CEO da empresa? E qual seria o papel d@ executiv@ jurídic@ nesse processo?

Possivelmente ainda não tenhamos uma pesquisa muito estruturada sobre o assunto no Brasil, mas mundialmente já se mede bastante essa questão, e há vários estudos abordando a “origem” do CEO nas empresas.

Mais e mais estudos (muitos deles nos EUA) vêm mostrando uma evolução considerável, rápida e constante na proporção de CEOs que chegam a essa função, após sua passagem pela área jurídica. Os CEOs advogados corporativos estão se multiplicando pelo mundo.

Em outras palavras, mais e mais os “general counsels” estão se tornando CEOs nas empresas, e conseguindo ótimos resultados. E isso precisa ser entendido por aqui também.

Já temos alguns ótimos exemplos no Brasil de gestores jurídicos que se tornaram gerentes gerais, CFOs, CEOs, membros de conselho etc. nas empresas – e conseguindo ótimos resultados. Se ainda são poucos, é importante observar esse movimento – pois parece ser uma tendência.

Longe de ser uma regra ou uma certeza, essa (nova) realidade deve nos levar a uma oportuna e importante reflexão sobre a carreira e o “futuro” do gestor jurídico na empresa (após conquistar a coordenação da área), pois pode estar se consolidando uma tendência que venha a ser uma nova fronteira, uma nova oportunidade para vários colegas a médio prazo.

Mais e mais sugerimos que os gestores jurídicos avaliem os “próximos passos” em suas carreiras e considerem (e por que não?) a gestão “máxima/geral” da empresa. Muito trabalho, dedicação, estudo, aquisição de competências e preparação serão necessários, mas é um sonho possível.

Se (ao menos desde o meio dos anos 1980) temos estudado, pesquisado, buscado técnicas e ferramentas, debatido, fomentado trocas de experiências e aprendizado etc., para que os gestores jurídicos estejam cada vez mais preparados para a função executiva, e conheçam melhor as empresas e os negócios, parece-nos natural que ao longo da carreira atual novas oportunidades sejam consideradas.

A experiência, o conhecimento e a mentalidade do advogado corporativo moderno (em especial na segunda metade da carreira – que cada vez mais precisará ser mais longa, por conta do aumento da expectativa de vida) são fundamentais para a efetiva gestão de risco, e a maior eficiência dos negócios empresariais – e podem ajudar muito a presidência. Essa realidade está sendo bem aceita pelo mundo empresarial e novos desafios sempre surgem com as novas oportunidades.

Sabemos que nem todos os executivos jurídicos corporativos têm esse perfil (e muitos nem mesmo querem seguir esse caminho), e entendemos, também, que cada empresa tem as suas peculiaridades e a sua forma de escolher seu gerente geral. Mas parece ser, sim, um caminho a ser cada vez mais considerado. E sobre o qual propomos esse debate desde já.

Atualmente, é comum encontrarmos CEOs muito jovens em várias empresas, num movimento que a história em breve mostrará em que medida foi (ou não) acertada essa aceleração profissional, mas ainda é inegável que experiência (inclusive de “vida”) e visão global do negócio (como hoje se exige do gestor jurídico) contam muito para a boa formação do profissional que chega ao comando corporativo.

Com grande frequência debatemos em diversos grupos de gestores de departamentos jurídicos de empresas, e mesmo com alunos em aulas, que não existe uma regra única, e nem mesmo padrão, sobre a origem do CEO, que “pode ser qualquer executivo” (no sentido de que não há uma formação/graduação específica, ou plano de carreira específico para a função). Não há uma sequencia “obrigatória” de cargos e posições a ser percorrida pelo profissional que deseja chegar “ao topo”. E que isso é muito bom!!

Ainda que não seja uma verdade absoluta, e que não seja obrigatoriamente sempre assim, vemos na maioria das empresas que cargos/funções (como por exemplo) na área financeira são ocupados por contadores, economistas, administradores de empresas, matemáticos e engenheiros, na área de marketing são ocupados por administradores de empresas ou publicitários, na área de RH são ocupados por administradores de empresas ou psicólogos, e assim por diante. “Costuma” haver uma certa “relação” entre a graduação/formação do profissional e a sua função executiva. No caso do CEO, porém, isso não existe.

Nas posições mais elevadas, o que “conta” é a eficiência e a efetiva preparação para a função, sendo deixado a um segundo plano a “origem” do profissional.

Longe de ser uma obrigação ou um padrão inalterável, é frequente que exista essa “co-relação” formação-atividade até o grau da gerência ou ainda da diretoria, mas para vice-presidências já é bem mais raro, e quase desaparece nos cargos ainda “maiores”.

Em outras áreas da gestão empresarial (além das mencionadas acima), mesmo nos níveis gerenciais médios – como as funções que englobam atividades comerciais, compra e venda e tantas outras, a “origem/formação” do executivo é mais fluida e flexível, sem que tenhamos propriamente padrões.

Portanto, se nos cargos mais elevados já não há tanta relação entre a formação acadêmica e a efetiva preparação para a função (sendo mais importantes os resultados), talvez devamos mais e mais considerar que a carreira do advogado corporativo permita voos mais altos.

Repetimos, portanto: E no caso do CEO (o “presidente”), qual seria a sua formação ou origem padrão ou “obrigatória”?

Felizmente sabemos que essa pergunta não se coloca, pois o mais normal (quando a elevação a essa posição segue questões “de mercado”) é que o executivo escolhido seja o que seus superiores (o conselho, os donos, os acionistas, em alguns casos os seus pares etc. – ou seja, quem tomar essa decisão) entendem que mais e melhor conhece o “negócio”, e que pode melhor geri-lo e orientá-lo para os melhores resultados. “Via de regra” é uma questão de perfil e de conhecimento, sem que a formação/graduação seja muito relevante.

Assim, se do lado empresarial as portas não estão fechadas, cabe mais e mais ao próprio profissional jurídico corporativo entender essa questão e (caso queira) preparar-se para ser ao menos considerado como uma boa opção.

Esse contexto tem se mostrado extremamente favorável aos executivos jurídicos com perfil efetivamente empresarial/corporativo, pois quando realmente bem preparados e alinhados com o negócio costumam ser os que mais e melhor conhecem a empresa. E isso vem sendo percebido por conselhos e acionistas.

O gestor jurídico corporativo, quando realmente preparado e “diferenciado” costuma ser o gestor de toda a área de riscos, e o que tem o verdadeiro “mapa” do que, e como funciona (e não funciona), bem na empresa.

Crescentemente as empresas buscam resultados (lucros!), mas desde que “venham” de forma ética, lícita, segura e sustentável, sem que os riscos sejam excessivos. Fatores muito alinhados com a moderna gestão jurídica estratégica empresarial.

Numa abordagem bastante “solta e leve” costumamos dizer que numa indústria, por exemplo, quem geralmente melhor conhece as pessoas é o gestor de RH, as finanças o CEO, a produção o gestor industrial, a questão comercial o gestor comercial ou de vendas, mas quem de fato conhece “tudo” na empresa é o gestor jurídico estratégico – que precisa ter em mãos todo o mapa de risco, e de realidade da empresa como um todo.

Se você já é ou está se preparando para ser o gestor jurídico na sua empresa, que tal considerar a possibilidade de vir a ser um candidato a CEO em alguns anos? E por que não?

Superada essa primeira questão, e para os que quiserem tentar esse caminho, o próximo passo é a preparação.Esse é um dos vários tópicos que a moderna e estratégica gestão jurídica nas empresas vem estudando, e que tem evoluído bastante. Procure conhecer mais sobre a advocacia corporativa, seus desafios, as melhores práticas, e o que se tem feito de mais moderno no Brasil. (Com informações de JOTA).

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